domingo, 30 de abril de 2017

Ode à liberdade

Bocage

Liberdade querida e suspirada
Que o despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada.

Vem, ó deusa imortal, vem maravilha,
Vem, ó consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;

Vem, solta-me o grilhão d’ adversidade;
Dos Céus descende, pois dos Céus éS filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

Sanhudo, inexorável Despotismo,
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas, 
Obra da Iniquidade e do Ateísmo;

Assanhas o danado Fanatismo, 
Por que te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a Razão num denso abismo.

Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas;

Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas só no ext'rior, não tiranizas
Do livre coração a independência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário