domingo, 25 de dezembro de 2016

Desencanto

 Eu faço versos como quem chora
 De desalento... de desencanto...
 Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
 Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
 Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
 Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca. –

Eu faço versos como quem morre
Manuel Bandeira




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