sábado, 5 de novembro de 2016

O cachimbo
Sou o cachimbo de um autor.
Vê-se, ao contemplar meu semblante
De cafre ou de abissínia errante,
Que muito fuma o meu senhor.
Quando ele está cheio de dor,
Sou como a choça fumegante
Onde a comida aguarda o instante
Em que regressa o lenhador.
Sua alma embalo docemente
Na rede azul e movediça
Que em minha boca o fogo atiça.
E entorno um bálsamo envolvente
Que ao coração lhe traz a calma
E lhe dá cura aos males da alma.
Charles Baudelaire 

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