sexta-feira, 12 de agosto de 2016

SONETO 4

Doçura pródiga, por que gastas
Contigo mesma o legado de tua beleza?
A herança da natureza nada dá, porém cede,
E, sendo franca, empresta a quem for livre;
Depois, bela e tola, por que abusas
Da abundância que te é dada a ofertar?
Usurária sem proveito, por que usas
Um valor tão grande e, mesmo assim, não vives?
Lidando apenas contigo mesma,
Tu, a ti mesma, teu doce ser enganas;
Então, como, quando a natureza te chama para que vás,
Que espólios aceitáveis deixarás?
Tua beleza intocada contigo deve ser enterrada,
Pois, ao ser usada, tornar-te-á sua executada.

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